Paulinho da Viola - 65 anos em grande estilo

Hoje, 12 de novembro, Paulinho da Viola comemora 65 anos. E esse fim de ano também traz o artista em grande estilo. Paulinho comemora aniversário e o Brasil comemora o lançamento de sua participação no programa Acústico MTV.

Paulinho não é muito de revisão. Quietinho e chique como poucos, estava sem disco lançado desde a trilha sonora do filme Meu tempo é hoje. Mas abusou do direito de ser elegante e talentoso nesse novo rojeto. É o primeiro show dele gravado para DVD - há dois anos foi lançado a gravação de um especial que fez para a TV Globo nos anos 80. E essa estréia em novo formato traz um Paulinho revisando a obra, trazendo alguns de seus grandes sucessos e pipocando algumas novidades.

O DVD é um dos maiores lançamentos do fim de ano. A indústria, procurando sobreviver, volta a apostar em artistas de talento (desses que são lembrados por muitos verões) e também estréia novo modelo de mercado com esse disco de Paulinho. A partir de agora a gravadora também cuida dos shows do artista. E esse show está sendo preparado com requintes de super produção. Ou seja, esse fim de ano é de Paulinho da Viola.

 

Clique aqui para ver um trecho do DVD ou clique aqui para saber mais sobre o projeto.



 Escrito por Beto Feitosa às 10h05 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




O fim dos Mutantes - a manchete que ninguém leu em 1972

Nos últimos dias, onde vou leio e ouço que os Mutantes vão acabar. Mas como assim? Meio veio uma sensação de dejavu de antes de nascer. A parapsicologia explica? Pois a manchete que não foi publicada em 1972 ameaçou sair em 2007, mas nada... parece que o negócio vai continuar rolando mais uns anos, que nem foi até 1978. É Mutante? Não é? Eis a confusão da banda que nunca acabou e nunca vai acabar. Velhos (bons) tempos que não voltam, deviam ficar por lá.

 

Também curti o revival, mas com um cheiro de banda cover bacana. Repertório inédito aí já é demais pra levar a sério.

 



 Escrito por Beto Feitosa às 9h49 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Independência e vida!

Hoje em dia no mercado de música é chique se dizer independente. Esse novo grito artístico tem a ver com o lado bom da tecnologia. Ao mesmo tempo que porporciona a pirataria, as facilidades dos gravadores digitais baratearam os custos de se fazer um disco. Hoje em dia, com toda crise da indústria, a difusão da arte é mais fácil.

 

Daí a gente tem um monte de siglas. CDR, CDRW, MP3. E também um monte de nomes. Gente cheia de talento mas que não tem o perfil blockbuster tão querido pelas gravadoras de outrora.

 

Na nova ordem musical de qualidade não existem apenas Caetano, Gal, Gil, Bethânia, Chico, Rita. Sim, eles ainda reinam. Mas a democracia revela o artista next door. Sim, aquele seu vizinho que vive cantando em casa pode ter um CD gravado. E quem sabe ele não é um desses grandes artistas? Tem Ceumar, Juliana, Selmma, Fernanda, Gigi, Tânia... são nomes valiosos nessa música brasileira emergente, que cria e que foge das fórmulas que por anos as gravadoras impuseram.

 

Eles não têm dinheiro para jabá. Nem para grandes produções. E nem para estratégias milagrosas de marketing. Fazem música, fazem arte. Arte por amor, que bate no coração do público. Quem se identifica é fiel. Não vai trocar por outra onda no próximo verão.


Se a moda é essa, que seja bem vinda. Independência é vida!

 



 Escrito por Beto Feitosa às 9h03 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Sobre Tânia Bicalho e o CD que está nascendo...

A voz forte de Tânia Bicalho ornamentada pelo maestro Jaime Alem... sei não, mas esse disco já tem tudo pra entrar sem pedir licença aqui em casa... girar na vitrola sem parar... Minas e São Paulo, o interior do café com leite se encontrando. A personalidade forte de Tânia e a genialidade de Jaime. E ainda tem a produção de Sérgio Natureza. Artigo de luxo, é luxo só.

 

A primeira vez que ouvi Tânia fiquei de boca aberta. Encontrei ali emoção, afinação, bom gosto musical e uma incrível empatia com sua música. Tudo era incrivelmente rudimentar e isso dava um sabor deliciosamente autêntico. Tânia tocava quase todos os instrumentos; era uma espécie de mulher-banda. Ou seja, dispensava qualquer produção para mostrar a pedra bruta de sua obra. Delícia!

 

Agora ela vem lapidada pelos arranjos de Jaime. E ainda tem a produção do grande compositor Sérgio Natureza. O que vou esperar? No mínimo o máximo. Não vejo a hora do carteiro chegar e meu nome gritar com uma carta na mão. Dentro do envelope o cheirinho do delicioso café mineiro para acompanhar a boa música em embalagem de luxo. Se sozinha ela já era ótima, imagina agora em boa companhia. E que venha Tânia Bicalho!

 

PS: Se você não conhece Tânia Bicalho, com certeza não sabe do que estou falando. Não perca tempo e visite www.taniabicalho.com. Agora! :-)



 Escrito por Beto Feitosa às 9h58 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




A música brasileira é das mulheres

Ah, essas mulheres... a história prova que a música brasileira é território todo delas desde sempre. Nem dá pra esquecer o pioneirismo de Chiquinha Gonzaga. Ou ícones como Carmen Miranda e Elis Regina.

 

Na bossa nova a voz doce de Nara Leão, o canto inteligente de Sylvinha Telles, o timbre marcante de Wanda Sá. A Jovem Guarda traz a ternurinha Wanderléa. No tropicalismo a criatividade pioneira de Rita Lee, a força dramática de Maria Bethânia e a beleza cuca fresca de Gal. Na vanguarda paulistana elas foram fundamentais: Ná Ozzetti, Vânia Bastos, Cida Moreira. O pop/rock tupi também está povoado, com Paula Toller e Marina. Ou as gerações mais novas com o pop de Zélia Duncan, Cássia Eller e Ana Carolina.

 

Se a voz é campo delas, o ofício de compor sempre foi mais dos homens. Mesmo assim algumas furam o clube do bolinha e ganham destaque. No passado Dolores Duran. Ainda em atividade os talentos de Fátima Guedes, Joyce, Sueli Costa.

 

E tantos outros nomes, e tantas outras vertentes e tantas outras histórias. Não tem como não ficar com o sentimento de que está faltando muitas mulheres aí nessa lista rápida. Então, se você sentiu falta de alguma colabore. Fazer justiça é impossível, mas o importante é homenagear essas artistas brasileiras não só no Dia Internacional da Mulher e todos os dias.

 

“Eu quero ouvir por toda minha vida / Uma mulher cantando para mim” (Voz de mulher, de Sueli Costa e Abel Silva)



 Escrito por Beto Feitosa às 6h55 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Tudo bossa Zélia

O Circo prestes a decolar, Toni Platão esquenta a noite com o repertório de seu Negro amor. Terreno preparado. Deixa a chuva cair e Zélia Duncan entra no palco com todo gás.

 

Ídolo pop, Zélia conquistou a confiança de seu público e, hoje, pode se dar ao luxo de incluir uma valsa do maestro Guerra-Peixe no meio de seu repertório. Zélia tem o mérito de colocar o povo pra dançar e cantar compositores como Itamar Assumpção, Tom Zé, Luiz Tatit e outros. Difícil, marginal, vanguarda: esses rótulos não têm vez no repertório de Zélia. Tudo está lá, junto em um caldeirão musical, uma alquimia que é proposta pela artista e muito bem assimilada pelo público.

 

E aí, quem disse que o povo não gosta de boas músicas? É só conhecer, e o público de Zélia já sabe: do samba clássico até a vanguarda, tudo tem espaço, tudo tem seu lugar e sua importância. O que vale é curtir.



 Escrito por Beto Feitosa às 10h26 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Um abraço no João

Artistas e público andam numa preguiça enorme de cavar repertório. Então é um tal de cantar as mesmas músicas conhecidas, que até dá sono. Sem o merecido alarde da mídia, ontem estreou no Rio o show Beija-flor negro, com João Pinheiro, que mostrou que não faz parte dessa turma do cochilo.
 
Prestes a lançar um CD apenas com músicas de Sade, João estava com coceira de montar um espetáculo de carreira, com seu repertório e passeando pelo dos outros. Quem conhece as músicas dele sabe que tem composições bacanas e contagiantes (Galllllllll!). Mas também tem um faro legal e disposição na hora de pesquisar repertório alheio.
 
Não resisti. Cheguei em casa e fui procurar a deliciosa música Samba de Los Angeles. O programa do show dava a pista que era de Gilberto Gil. Mas onde ele pescou essa? Pesquisei no site de Gil e, em cinco minutos, descobri que é do LP Nightingale, de 1978. Até peguei o CD original para comparar as versões. Mas o ponto não é esse. Se eu demorei apenas cinco minutos para encontrar informações sobre a música que João Pinheiro cantou, a pesquisa dele foi muito maior. E, inteligente, acertou na mosca fugindo do óbvio.
 
Com o programa em mãos ainda tenho outros nomes a procurar. Quem é Crispim, autor da irresistível Nossa Senhora do Tim? João também pescou a obra de compositores que estão por aí como Fred Martins, Suely Mesquita e Selma Gillet. Mas, cadê que foi no convencional? Nada. Mais um ponto!
 
O show transcorre só com novidades. Uma citação de Cais  aqui, uma releitura de Muito romântico e uma arrasadora de Vaca profana. Mas João Pinheiro traz a novidade. Prende atenção do público pela qualidade do repertório e por sua presença de palco.
 
Depois de Sade, que venha logo o registro desse repertório.


 Escrito por Beto Feitosa às 3h10 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Mares de Bethânia

Recebo de um leitor da Argentina um relato emocionado de seu encontro com os mares de Bethânia. Como era desejo do próprio, resolvi publicar na íntegra o texto de Roberto Videla, traduzido por sua amiga carioca Lúcia Melim. Segue o e-mail de Roberto:

Mar de Bethânia


Acabei agora de ouvir Mar de Sophia, de Maria Bethânia.
Me preparei como para um ritual: não tinha vinho, que pena, então fiz uma péssima caipiroska:
- o álcool já tinha quase se volatilizado da velha garrafa de vodka, não bebo bebidas brancas, mas gosto muito de vinho.
- o limão argentino não era aquele pequeno, seco e forte, verde papagaio.
- não havia mar.
Sentei-me na frente do aparelho de som, pus o cd, acariciei meu gato – Mushkin – que não entendia bem o que estava acontecendo.
Fiquei ouvindo.
Ouvindo o mar, seu mar, o mar de Bethânia, ouvindo o meu mar.
Pensei: ela está cantando para mim, sou eu quem a está ouvindo, aqui, longe. Ela está cantando para mim.
Simplicidade, inteligência, beleza, doçura, crueldade, amor, solidão.
Ela faz o que quer e o que quer tem a ver com a vida, com a morte, com a consciência do tudo e do nada.
Há anos atrás, em 2004, tentei encontrar um jeito de chegar até ela, até a Bethânia. Eu estava preparando um espetáculo teatral que se chamava “El mar, il mare”, e que contava a morte de um amigo italiano no mar da Sardenha. Eu queria que ela gravasse um dos textos do espetáculo. Eram mails trocados com alguns amigos de Verona, de onde era o meu amigo que se afogou, o Walter.


Parecia impossível, mas piano piano abriu-se uma luz. Escrevi para o Zé Miguel Wisnik, que eu conhecia poço, mas ele não estava disponível. Escrevi à Cristina Saraiva, que me contou ser amiga de Jaime Álem, o arranjador musical de Bethânia fazia mais de 20 anos. Disse-me que procuraria um jeito de chegar até ela através dele. Mas não aconteceu nada, eu lhe escrevi um longo mail e não obtive nenhuma resposta. Então, assim fiquei, esperando, e depois pensei: sou um tolo, ela é inalcançável.


Fiz o espetáculo, e no programa incluí uma fotografia de uma pena muito pequena que meus amigos haviam encontrado na praia onde meu amigo havia morrido. Meses mais tarde, no cd Brasileirinho, de Bethânia, aparecia uma foto de uma pena muito parecida. E, ainda por cima, Brasileirinho terminava com uma bela versão de Melodia Sentimental, de Villa-Lobos, uma canção com que começava o espetáculo que eu havia dirigido fazia cinco anos.  Então pensei: não importa. Nunca nos encontraremos, mas ela me deu tanto na vida que continuarei e continuaremos unidos.

Um só vez pude lhe falar, depois de seu espetáculo “Estranha Forma de  Vida”, no Teatro da Praia, no  Rio em 1981,  me atrevi a lhe pedir um autógrafo. Balbuciei que ela era muito importante para mim, para a minha carreira como ator e diretor de teatro, e Bethânia, um tanto insolente e dura, me perguntou: Por quê? Fiquei mudo e fui embora. Não encontrava as palavras, as palavras que ainda agora, talvez, não encontrasse, pela emoção e a onda de felicidade que me dava estar perto dela. Saí com o autógrafo e seu perfume na minha mão e caminhei, aturdido, por Copacabana. Sábado em Copacabana, 1981. Oba.
E agora estou ouvindo Mar de Sophia. E te saúdo, Bethânia.


Roberto Videla, Córdoba, Argentina.



 Escrito por Beto Feitosa às 5h58 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Ainda que tardia...

Bem apropriado para a comemoração de hoje, a letra que recebi do compositor Felipe Cerquize. Ele já diz tudo:

 

"Liberdade! Liberdade! 
Abre as asas sobre nós! 
Das lutas na tempestade 
Dá que ouçamos tua voz!"


AINDA QUE TARDIA
 
Abre as asas sobre nós
Ainda que seja tarde
Desamarra estes meus nós

Permite-me dobrar a esquina
Sem ver mais uma chacina
Deixa-me alimentar o sonho
De que tanto me envergonho

Desce as asas sobre nós
Acolhe-nos e protege-nos
Mesmo que estejamos sós

Incentiva-me a repartir
Dá-me a dor de consciência
Dá-me a tua sapiência
Faz-me enxergar o que é óbvio

Tu que enfrentaste a História
Que partiste na ascenção
Não nos permitas a morte
Sem saborear tua glória

Fecha as asas sobre nós
Não deixes que a fúria  fira
Não mandes a desesperança
Rufla o máximo que possas

Sorri para mim ao acordar
Faz chover no semi-árido
Controla os aluviões
Dá fartura aos embriões 

Elimina o sensacionalismo
Dá chance a todo artista
Defenestra o mercenário
Que quer o nosso salário

Solta a pluma sobre nós
Para que enxerguemos cores
E sintamos teus olores
Avoluma a tua voz

Ajuda-nos a ver o rosto
Dos que pregam o oposto
Dos que usam o teu nome
Mas que distribuem a fome

Que desabe sobre nós
Cada ruga de tua personalidade
Cada marca do teu sofrimento
Para que tenhamos tua consciência

Tudo pode mudar facilmente
A fragilidade é a tônica da vida
Todas as conquista nada significam
Novos rumos podem debilitar os inatingíveis

Fecha as asas e protege-nos
Não nos deixes aqui sozinhos
Reverbera os teu exemplos
Para os vendilhões do templo

Não te acanhes com a ameça
Constante que te fazemos
Põe ao largo tua asa
Distribui as tuas penas

Derrama teu sangue quente
Sobre cada um de nós
Cicatriza tua ferida
No calor das nossas vidas

Ignora todas as chantagens propostas
Desce batendo as asas com a força exata
Nem tão forte que nos tire o norte
Nem tão lento que nos tire o vento

Felipe Cerquize



 Escrito por Beto Feitosa às 1h28 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Livre expressão: a era dos blogs

Jornalista tem mania de datas. Eu, mesmo que esqueça várias, passo meus dias pensando nelas para fazer minhas pautas. Então para hoje eu já sabia que tinha show de Dominguinhos no Rio, bossas de Denise Pinaud e Marvio Ciribelli em Niterói, e aniversário da inesquecível Emilinha Borba. Está tudo lá em Ziriguidum como previa minha pauta da semana.

 

Mas agora fui pego com uma notícia: hoje é dia do blog. Ora, como posso me furtar a escrever nesse espaço em um dia como esse? E retribuir uma homenagem de meu amigo particular Fábio Vizzoni, que está transformando seu site em um blog: www.musicaeletra.com.br. Fábio também dessa raça de jornalistas musicais, nem sempre muito bem humorados, mas ele faz parte de uma turma bacana que escreve por prazer e corre atrás do que sabe e do que quer. Gente que gosta de música e, por isso, veio parar nesse difícil terreno que é cavar artistas bacanas nessa era banalizada de “arte” fabricada como sabão em pó.

 

Mas esse tal de blog, que surgiu há pouco tempo como um mero diário de bocejantes aventuras adolescentes, hoje é uma importante fonte de informação. Na política está sendo usado com toda força trazendo furos e desvendando escândalos. No cinema com indicações bacanas de críticos anônimos. Enfim, é a democratização da notícia. Todo mundo tem sua voz.

 

Na música não é diferente. Quantas vezes já me pautei por informações colhidas em blogs? Grandes jornalistas como Antonio Carlos Miguel e Mauro Ferreira atualizam seus espaços com furos importantíssimos e necessários. Mas há ainda duzentos outros interessantes sugerindo o que ouvir, o que saber, o que ler. Enfim, tudo sobre música brasileira de todos os tempos.

 

Ultimamente alguns blogs têm inclusive praticado o que se chama de “pirataria do bem”. Ou seja, através de blogs você encontra links para baixar discos há milênios fora de catálogo, raridades, bootlegs e até mp3 de novos nomes. Alguns já começam a se destacar nesse campo, a ferramenta pode, sim, ser muito útil.

 

Então blogueiros de todo o Brasil, parabéns! Seja falando besteiras, seja dando notícias importantes ou dicas pessoais, o importante é a livre expressão. Se a nossa história mostra um tenebroso período recente de censura, o blog representa uma liberdade, um espaço democrático e até anárquico. Discorda? Então deixe seu comentário!



 Escrito por Beto Feitosa às 8h09 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Abrindo o baú das TVs

Finalmente as gravadoras brasileiras perceberam o óbvio e começam a explorar os arquivos dos musicais de TV.

A primeira a se aventurar nessa seara doi a Trama. Com o sucesso da edição em DVD do programa Ensaio com Elis Regina vieram titulos com Gal Costa, Baden Powell, Tom Zé entre outros. Depois com a luxuosa edição do especial Elis Regina Carvalho Costa. Agora com a catarse de uma Rita Lee em pleno fôlego com o especial da mesma série. Títulos imperdíveis e emocionantes que estavam mofando em fitas de rolo, beta e outras mídias nos acervos das TVs.

Agora a Biscoito Fino também começa a vasculhar essas raridades com um especial de Tom Jobim gravado por uma emissora canadense. Igualmente emocionante.

Será que é muito difícil perceber esses materiais? Gravadoras e TVs podem fazer bons acordos, licenciar vários títulos. Ganham uma grana e de quebra agradam em cheio a um público crescente ávido por esse material. Já está tudo produzido, editado... basta dar uma boa limpada, melhorar o som e colocar no mercado.

A própria Globo, que nunca foi prodigiosa em musicais, tem um acervo fantástico. Além da série Grandes Nomes, cade os deliciosos espisódios de Chico & Caetano? Sem falar dos toscos especiais gravados por Elis Regina nos anos 70? Se a qualidade deixa a desejar, a importância histórica passa por cima.

Vamos além vasculhar arquivos da Band, que também tem em fitas muitas imagens importantes da música brasileira.

Isso sem falar nos acervos de emissoras como Tupi e Manchete. Onde estão?

Eu adoraria mergulhar nessa poeira toda e assistir velhos especiais de TV. Pela repercussão e vendas que os títulos já lançados têm, aposto que não estou sozinho. Então vamos... TVs e gravadoras... negociem, façam acordos, alianças e vamos soltar essas delícias de seus arquivos. O público, encantado, agradece!



 Escrito por Beto Feitosa às 12h30 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




Saudades do futuro

Sim, sou do tempo do vinil. E do compacto duplo, além de ser também da época em que se gravava músicas das rádios em fitas K7. As de ferro da Basf tinham um bom custo/benefício.

Aí chegou o CD, oitava maravilha do mundo. Depois veio a tecnologia pra gente gravar nossos próprios CDs. Poxa, como vivi tanto tempo sem isso?

E agora já estão matando o coitado do CD. Certo, certo... novas tecnologias, novos suportes, novas mídias, sou super a favor. Reconheço uma certa preguiça em, mais uma vez, atualizar meu acervo com a nova tecnologia. Pois nem bem acabei de passar meus velhos vinis para o CD e ele já está ficando caduco. Mas a praticidade de ter minha discoteca toda em um aparelhinho pouco maior que uma caneta pode encantar.

Não sei se é saudosismo ou medo do desconhecido. Mas essa nova forma de consumir música me dá alguns medos. O primeiro e mais óbvio é a questão gráfica. Poxa, se quando a gente já mudou do vinil pro CD já perdeu muito... A capa era maior, os encartes podiam ser mais criativos e diferentes. No pequeno CD se foi um pouco do romantismo. Ok, ok... novos tempos... ninguém vai querer andar por ai carregando um bonde do tamanho de um LP. Vida que segue... mas e agora, quando a música for apenas um arquivo no computador???

Aí vem outro problema... disco arranha, CD é mais durável. Mas um arquivo em um diretório em um HD não me inspira muita confiança. Quanto tempo será que vou ter aquela música à minha disposição? Não estou falando aqui de hits descartáveis, mas de obras que a gente sempre volta e sempre recompra em novas mídias. Quando ela for apenas um amontoado de bytes, sem uma representação física, será que vou ter que comprar novamente sempre que formatar minha máquina? Melhor ainda ser precavido e guardar uma copia de backup em um CD ou DVD....

Mas a minha grande dor de cabeça projetada no futuro nem é essa. E sim como será que isso vai impactar no processo de criação? Será que vamos ser uma cultura de singles solitários??? Volto a confessar um certo conservadorismo, gosto do disco como uma obra fechada, com um numero X de músicas que são irmãs, primas ou parentes. A simples coletânea me soa como prêmio de consolação para quem não tem como conseguir os originais.

A evolução é inevitável e bem vinda. A indústria transforma arte cada vez mais em artigo de consumo. E a gente vai engolindo muita porcaria fast food mas encontra ao mesmo tempo os quitutes requintados. Artista de verdade, como bicho criativo que é, vai sempre encontrar uma brecha pra se expressar. Seja em vinil, CD, MP3, sinal de fumaça ou o escambau. Estamos no tempo do digital, e que a nova evolução seja bem vinda. Sinta-se em casa!



 Escrito por Beto Feitosa às 8h32 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Uma festa para a música

A semana teve três dias de festa, encontro e muito bate papo para profissionais da música. Artistas, empresários, jornalistas, funcionários de gravadoras, produtores e toda uma seleção de pessoas que respiram música 24 horas por dia se reuniram em Canela (RS) para participar da segunda edição da nova Festa Nacional da Música. Em tempos de números desanimadores, vendas que despencam e piratas em cada esquina, nada melhor do que três dias de festa no delicioso cenário da serra gaúcha. Pra recarregar energias e encher o álbum de fotos.

 

Esse evento é uma reedição da antiga Festa do Disco, que nos anos 80 levou dezenas de artistas para a mesma cidade. Novamente organizada por Fernando Vieira, perfeito em seu papel de organizador e anfitrião, a festa volta ao calendário oficial de eventos da cidade e, nesse segundo ano, concretiza a certeza de que voltou mesmo para ficar.

 

Como toda boa festa o ecletismo dos convidados garantiu o alto astral. De Gretchen a Leny Andrade, de KLB a Emílio Santiago, todo mundo conviveu durante esses dias. Papos, passeios e, claro, muita música.

 

Além dos óbvios e necessários shows toda noite, os salões do hotel viravam espaço livre de improviso. Em um canto Sandra de Sá reúne um grupo e toca no violão seu Demônio colorido. Logo atrás da pilastra uma improvisada banda formada em volta do piano de cauda relembra sucessos de Tim Maia. Até que, do corredor, chega Dudu Nobre e um animado grupo tocando sambas e pagodes. Sérgio Reis serviu o churrasco e levou os filhos pra cantar com ele. Wanderléa se juntou aos Fevers e Golden Boys para agradecer a homenagem da noite colocando todo mundo pra dançar com as infalíveis Prova de fogo e Pare o casamento.

 

Claro que se fala de negócio o tempo todo, mas o astral é de festa. No vôo fretado que trazia os convidados de volta ao Rio e São Paulo uma emocionada Rosa Marya, depois de impressionar em um dueto com a cantora italiana Mafalda Minnozzi para um programa de TV local, assumiu o microfone das aeromoças e resumiu: “Depois desses dias aqui eu vou levar um pouco de vocês comigo, meu coração está feliz”.

 



 Escrito por Beto Feitosa às 7h41 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Alô alô Brasil!

Há 25 anos, quando escreveram Alô alô marciano, Rita Lee e Roberto de Carvalho nem deviam imaginar que a letra, passado todo esse tempo, continuaria mais atual do que nunca. A crônica musical do casal roquenrow nasceu em pleno processo de abertura política no Brasil. Viu chegar a democracia, viu campanhas diretas, viu impeachement, viu mensalões e planos econômicos de enlouquecer qualquer cristão. Viu o muro cair, viu o socialismo falir, viu ataques terroristas e catástrofes da natureza. E ainda tem sempre um “Aiatolá pra atolar, Alah”.

 

Alô alô marciano viu sua mãe partir. A música sorriu e divertiu o país que perdeu sua cantora maior. Mas também viu que ela ficou, mais do que nunca, idolatrada salve-salve.

 

E a música continua atual. Hoje volta pra telinha e pra boca do povo. Todas as noites Elis Regina entra em casa cantando, e acertando, que “tá cada vez mais down no high soceity”.

 

Se for pra usar roupa de grife, que seja da Daspu. Se for pra comer pizza, que o sabor não seja de impunidade. Se for pra mandar brasileiro pro espaço e deixar voltar, que seja boa praça. Rebeldades rebelem-se que a crise ainda tá a mesma zona. “Tá cada um por si e todo mundo na lama”.



 Escrito por Beto Feitosa às 11h12 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Hebe marcou gol com novos artistas

Hebe marcou um grande gol em seu último programa. A maior apresentadora da TV brasileira trocou os medalhões de sempre e abriu espaço para novos artistas da música brasileira.

Com o aval dos grandes Zuza Homen de Mello e João Marcelo Bôscoli, Hebe trouxe artistas super queridos e de valor como Ceumar, Fenix, Silveira, Teresa Cristina, Quinteto em Branco e Preto entre outros além das já bem conhecidas e Roberta Sá e Isabela Tavianni. Desculpe, claro que vou deixar de dar alguns nomes aqui, mas foi um desfile tão bacana que emociona. Os aplausos do público provam que, sim, novos nomes e novas formas de expressão têm espaço e são super bem vindas. Quem disse que o público é burro? Que nada, só falta oportunidade de acesso.

"O povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe", disse Gilberto Gil com grande sabedoria.

No início do programa João Marcelo apontou a internet como um caminho para a divulgação desses novos nomes. Realmente, mesmo sem estar no Faustão ou no Gugu, a comunidade de Ceumar no Orkut tem quase dois mil fãs, todos conquistados para sempre, já que não chegaram nela por insistencia de rádios recheadas de jabá. Desde o início do mês a notícia da participação da cantora mineira na Hebe já agitava os tópicos. Ceumar não deixou por menos e arrasou cantando um coco.

Feliz ato de coragem de Hebe Camargo, muitas notas 10 para o programa, para a apresentadora, para a produção e, principalmente, para a idéia de dar luz a artistas de grande valor. Hebe fez a diferença nesse início de ano.



 Escrito por Beto Feitosa às 7h20 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




O parlamento português aprovou uma lei que obriga as rádios locais a terem em sua programação 25% de música nacional. Quem desrespeitar, ganha multa.

Mas não parece meio triste a gente precisar de uma lei para conhecer nossas próprias manifestações? Globalização tudo bem, assassinato cultural é que não cai bem.



 Escrito por Beto Feitosa às 6h07 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Lista obrigatória para o reveillon

Fui intimado a fazer uma seleção e levar umas músicas para o reveillon. Como é a festa que eu vou estar ao lado de pessoas queridas, achei prudente caprichar. Mas fiquei pensando que tem um repertório básico, que muitas pessoas vão estar ouvindo ao mesmo tempo. Segue uma listinha que anotei em um pedaço de papel para a trilha sonora do ano novo (mas pode ser aplicada também para casamentos, 15 anos, bodas de ouro e festas afins). Segue aí:

  • Lança perfume - Rita Lee
  • Dancin' days - Frenéticas
  • Você não soube me amar - Blitz
  • Aquele abraço - Gilberto Gil (mas na minha festa vai ser com Micheline Mayz)
  • Fio maravilha - Jorge Benjor
  • Pintura íntima - Kid Abelha
  • Descobridor dos sete mares - Tim Maia
  • Festa - Ivete Sangalo (essa inacreditavelmente não tenho pra levar)
  • O carimbador maluco - Raul Seixas
  • Puro êxtase - Barão Vermelho
  • O canto da cidade - Daniela Mercury
  • Fora da lei - Ed Motta
  • É hoje - Fernanda Abreu (mas podia ser Caetano Veloso também)
  • Superfantástico - Balão Mágico
  • todo o CD da Ploc 80!

Isso é só uma parte da lista das músicas brasileiras, super aberta. O que você vai ouvir a mais?

Mesmo se não curtir nada disso achar que essa festa vai ser uma bosta, o importante é se divertir e fazer de tudo pra que 2006 seja muito melhor, evoluindo sempre. Feliz ano novo!



 Escrito por Beto Feitosa às 11h51 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




DVD de Elis atrapalha a vida... mas no melhor sentido

Todo dia acho que vai melhorar, que vai ser diferente... mas definitivamente esse novo DVD de Elis Regina tem atrapalhado minha vida nesse fim de ano. Não, não, de maneira nenhuma estou reclamando do show que chegou aqui da gravadora Trama há duas semanas. O problema é justamente o contrário: é tão bom, tão bom, tão bom, tão emocionante, que não consigo parar de assistir. Todo dia já acordo pensando em assistir Elis Regina de novo... e lá vou eu colocar o DVD todo de novo.

Fim de ano é uma enxurrada de lançamentos. E estou com ótimos CDs e DVDs nas mãos, que ouço com todo carinho, faço minha pauta, escrevo minha matéria e... volto para assistir Elis Regina.

Eu devia ter uns 4 anos quando esse especial passou na TV. Depois cresci vendo o Video Show repetir dezenas de vezes (dezenas sim, mas nunca cansou) o momento em que Elis cai em lágrimas cantando Atrás da porta. Mas agora eu tenho isso em casa, na minha estante, acessível para sempre. Todo meu! Pois é, dá até pra voltar a acreditar em Papai Noel.

Cheio de interesses torço muito pelo sucesso desse disco. Além de ser lindo eemocionante, o grande presente de natal do ano, a minha esperança é que o sucesso que certamente vai fazer ajude a Globo a abrir seu arquivo e lançar outros títulos da série Grandes Nomes, e outros musicais como Chico & Caetano, especiais de Rita Lee, Roberto Carlos, Gal Costa... tanta coisa rica parada nos arquivos. Quero tudo na minha estante e no meu DVD!  



 Escrito por Beto Feitosa às 2h11 PM [   ] [ envie esta mensagem ]




O medo de Daniela

Nunca me ocorreu que alguém pudesse ter medo de Daniela Mercury, mas parece que o Papa tem... o Vaticano presta, mais uma vez, um péssimo exemplo limando a cantora brasileira de seu show de natal. O medo da cúpula da igreja católica era que Daniela, em sua apresentação, fizesse propaganda do uso da camisinha. Pois é, eles têm medo da camisinha, mas não tem nenhum pudor em ver sua população com doenças sexualmente transmissíveis e nem tem medo da população miserável que se multiplica pela ignorância dos métodos de evitar filhos.

Pois então o Vaticano prefere ver essa cena. Lamentável.

Mas o tiro pode sair para outro lado. O escândalo pela censura de Daniela pode fazer o mundo inteiro, na hora do espetáculo, lembrar dessa saia justa e refletir sobre o uso de preservativos e o papel da Igreja.

É ano novo. Tempo de repensar conceitos, analisar a vida e, principalmente, mudar de pensamentos e opiniões.

É hora de descobrir que pode até não se gostar da música de Daniela Mercury, mas essa mensagem dela é um sucesso universal. Bom prestar atenção em quem a gente ouve.



 Escrito por Beto Feitosa às 8h59 AM [   ] [ envie esta mensagem ]




Acordo e a primeira coisa que faço é colocar um disco pra rodar. Antes mesmo de escovar os dentes e preparar o café a música já está rolando aqui em casa. E o espaço é bem democrático; hoje já foi de Joyce até Cidadão Instigado. Rola de tudo no salão.

A música acompanha o meu dia inteiro, a TV fica em segundo plano. Geralmente ótima pra hora de desligar a cabeça e dormir.

Ouço música para trabalhar, música para relaxar, música para esquecer, música para lembrar, tem trilha sonora para tudo o que vier.

Hoje, dia do músico, não dá pra deixar de homenagear todos esses profissionais conhecidos e desconhecidos que fazem arte para os ouvidos, que são parte fundamental da cultura e da identidade do nosso país. E também homenagear amadores que tocam seus instrumentos em casa e para os amigos. Todo mundo tem um lado músico. Médico e louco também.

Como diz Caetano Veloso, "como é bom podertocar um instrumento".

Parabéns a todos!



 Escrito por Beto Feitosa às 11h01 AM [   ] [ envie esta mensagem ]





 
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