Música para lembrar e emocionar

Tarde quente. Acabei de chegar do centro da cidade, onde paguei algumas contas. A camisa suada mas sorriso no rosto de quem carrega um troféu. No caso em dose dupla: os dois volumes em CD de A bossa eterna de Elizeth e Ciro.
Esses discos para mim têm sabor de infância. Com pouco mais de três anos, em 1979, já devidamente iniciado em Rita Lee, Chico Buarque e Clara Nunes, descobri esses dois discos na estante dos meus avós. Eles me emprestaram e os discos ficaram comigo por anos a fio. Sem saber ali estava tomando contato pela primeira vez com Ataulfo Alves, Haroldo Barbosa, Noel Rosa, Ismael Silva, Dorival Caymmi e tantos outros mestres aos quais poucos da minha geração tiveram acesso.
Ouvindo agora as músicas no meu CD player me voltam imagens de uma vitrolinha azul que não existe mais, de um apartamento de área grande que não é mais nossa, de pessoas amadas que não estão mais por aqui. Música tem essa capacidade, essa magia, uma perfeita máquina do tempo. Não que eu seja de nostalgia, mas emoção não se controla. Ainda bem. Deixa estar, deixa fluir. Arte é para isso: emocionar, tocar a alma.
Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro aqui representam muito mais do que os dois grandes artistas que foram. Ouvir esses dois discos é chegar perto da minha história, da minha gente. Se fechar os olhos posso até ouvir os estalos originais dos discos. E quem disse que não vou fazer isso?
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Escrito por Beto Feitosa às 4h53 PM
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