Zélia Duncan
Zélia Duncan me emociona. E ontem, em um show no meio da Praça XV, meio centro do Rio, meio caminho de Niterói, me dei conta do tempo... são 10 anos desde que ela estourou com Catedral.
A primeira vez que a vi. Me lembro de fazer uma entrevista com ela no escritório da gravadora WEA. Quando cheguei Zélia tinha acabado de receber a notícia de que Catedral era primeiro lugar em BH. Eu cheguei com a notícia que ela tinha recebido indicação ao Prêmio Multishow.
Mas isso é 1995. Depois disso muita água rolou. Estive em vários shows (o primeiro no Teatro da UFF, aqui perto, com uma Zélia ainda de cabelo comprido e tímida, olhando pouco para a platéia), ela teve uma nota na edição zero de Ziriguidum e pulou para a capa da primeira edição.
Dou um pulo de dez anos e várias histórias e volto ao show de ontem. Zélia super segura e feliz mostrando em praça pública seu mais novo e melhor trabalho. Resgatando Guerra Peixe, linkando com Lenine e Itamar Assumpção. Ela é toda música e sabe, como poucos, pegar a tradição e casar com o contemporâneo fazendo uma música própria, que é só dela. Zélia encontrou seu caminho e esse não é o mais fácil e comercial.
Mas o povo enlouqueceu e acompanhou. Quem disse que o povão só quer porcaria? Que nada, dá música boa que a gente quer. Merece e precisa. Quem passou por lá, parou e conheceu o som de Zélia. Que pode não estar sendo a “mais pedida” nas paradas de sucesso. Mas é de criadores como ela que a arte precisa para evoluir e continuar existindo. Bom pra nós, bom pra música, bom pra história.
Escrito por Beto Feitosa às 11h45 AM
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