Saudades do futuro

Sim, sou do tempo do vinil. E do compacto duplo, além de ser também da época em que se gravava músicas das rádios em fitas K7. As de ferro da Basf tinham um bom custo/benefício.

Aí chegou o CD, oitava maravilha do mundo. Depois veio a tecnologia pra gente gravar nossos próprios CDs. Poxa, como vivi tanto tempo sem isso?

E agora já estão matando o coitado do CD. Certo, certo... novas tecnologias, novos suportes, novas mídias, sou super a favor. Reconheço uma certa preguiça em, mais uma vez, atualizar meu acervo com a nova tecnologia. Pois nem bem acabei de passar meus velhos vinis para o CD e ele já está ficando caduco. Mas a praticidade de ter minha discoteca toda em um aparelhinho pouco maior que uma caneta pode encantar.

Não sei se é saudosismo ou medo do desconhecido. Mas essa nova forma de consumir música me dá alguns medos. O primeiro e mais óbvio é a questão gráfica. Poxa, se quando a gente já mudou do vinil pro CD já perdeu muito... A capa era maior, os encartes podiam ser mais criativos e diferentes. No pequeno CD se foi um pouco do romantismo. Ok, ok... novos tempos... ninguém vai querer andar por ai carregando um bonde do tamanho de um LP. Vida que segue... mas e agora, quando a música for apenas um arquivo no computador???

Aí vem outro problema... disco arranha, CD é mais durável. Mas um arquivo em um diretório em um HD não me inspira muita confiança. Quanto tempo será que vou ter aquela música à minha disposição? Não estou falando aqui de hits descartáveis, mas de obras que a gente sempre volta e sempre recompra em novas mídias. Quando ela for apenas um amontoado de bytes, sem uma representação física, será que vou ter que comprar novamente sempre que formatar minha máquina? Melhor ainda ser precavido e guardar uma copia de backup em um CD ou DVD....

Mas a minha grande dor de cabeça projetada no futuro nem é essa. E sim como será que isso vai impactar no processo de criação? Será que vamos ser uma cultura de singles solitários??? Volto a confessar um certo conservadorismo, gosto do disco como uma obra fechada, com um numero X de músicas que são irmãs, primas ou parentes. A simples coletânea me soa como prêmio de consolação para quem não tem como conseguir os originais.

A evolução é inevitável e bem vinda. A indústria transforma arte cada vez mais em artigo de consumo. E a gente vai engolindo muita porcaria fast food mas encontra ao mesmo tempo os quitutes requintados. Artista de verdade, como bicho criativo que é, vai sempre encontrar uma brecha pra se expressar. Seja em vinil, CD, MP3, sinal de fumaça ou o escambau. Estamos no tempo do digital, e que a nova evolução seja bem vinda. Sinta-se em casa!



 Escrito por Beto Feitosa às 8h32 AM [   ] [ envie esta mensagem ]





 
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